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Doenças respiratórias
(Por: Amilton Ferreira da Silva)*

Um dos problemas mais importantes na produção suinícola é constituído pelas enfermidades respiratórias que se observam em forma de pneumonias e pleurisias. O complexo respiratório está susceptível a uma gama de agentes bacterianos e virais, alguns dos quais com importância primária e outros com importância secundária.
 
Os agentes primários de maior importância são: Actinobacillus pleuropneumoniae, Vírus da doença de Aujeszky, Mycoplasma hyopneumoniae. São numerosos os patógenos comuns que se apresentam em forma de infecções secundárias, como as pasteurelas, os estreptococos, os estafilococos, etc.
 
Provavelmente a melhor forma de evitar problemas respiratórios graves é manter o ambiente onde os suínos são criados o mais livre possível de estresse imunológico, social e nutricional, relacionados com as transferências dos leitões de uma instalação para outra (desmame – creche – crescimento – terminação), que propicia o aparecimento dos sintomas respiratórios.
 
Dentre os fatores preponderantes na difusão das patologias respiratórias, considera-se a disposição das instalações, tipos de galpões, sistemas de ventilação em locais fechados ou a circulação de ar em locais abertos. Outros fatores, tais como número de animais por área, mistura de animais de diferentes tamanhos e idades, temperatura ambiente, presença ou não de outras doenças na granja, cuidados de higiene, desinfecção e fluxo de animais, sistema de criação all in/all out. Além de altos níveis de gases (maior que 10 ppm de amônia e menor que 5 ppm de Ácido Sulfúrico) e altas taxas de poeiras (2,5 mg / metro cúbico de ar) comprometem seriamente o aparelho respiratório dos suínos.
 
As perdas econômicas decorrentes dos problemas respiratórios são bastante sérias e recaem tanto sobre os produtores como sobre a indústria. Sobre os primeiros, em conseqüência dos gastos com medicamentos, redução do desenvolvimento corporal dos animais afetados e mortalidade. Sobre a indústria, pela condenação de carcaças, especialmente no caso da pleuropneumonia.

PRINCIPAIS DOENÇAS E PATÓGENOS -
 
Considerando-se a natureza distinta das etiologias envolvidas nas doenças respiratórias (bactérias. vírus, mycoplasmas e parasitas) o diagnóstico etiológico preciso é o passo inicial para que medidas adequadas possam ser adotadas.
 
As doenças que tem recebido mais destaque dentro do Complexo Respiratório em suínos são: Pneumonia enzoótica, Pleuropneumonia, Rinite atrófica, Doença de Glasser e Pasteurelose.

PNEUMONIA ENZOÓTICA
 
Doença causada pelo Mycoplasma hyopneumoniae que apresenta elevados índices de incidência em granjas comerciais. Acomete animais de todas as idades e seus efeitos mórbidos se fazem notar, principalmente, durante as fases de crescimento e terminação.
 
A doença não apresenta sintomatologia clássica nos estágios iniciais, caracterizando-se em especial por apresentar alta morbidade (efeitos maléficos sobre o ganho de peso e conversão alimentar) e baixa mortalidade. O período de incubação característico da doença é de 10 a 21 dias. No entanto, pode prolongar-se em função de práticas de manejo sanitário.
 
Quando aparecem, os sintomas clássicos se apresentam sob a forma de uma tosse seca improdutiva, afetando os animais jovens em fase de crescimento.
 
Evolui geralmente para um quadro mais grave, de conseqüencias mais desastrosas em função da associação do Mycoplasma a outros invasores secundários como a Pasteurella multocida, Actinobacillus pleuropneumoniae, Streptococcus sp e outros, reduzindo a atividade mucociliar diminuindo as defesas contra patógenos que entram pela via res piratória e, portanto, predispõem o pulmão a entrada de outros microrganismos.
 
A vacinação contra a Pneumonia Enzoótica já é uma prática muito difundida no Brasil e sem dúvida alguma é bastante útil no controle das pneumonias.

PLEUROPNEUMONIA
 
É uma doença causada pelo Actinobacillus pleuropneumoniae, onde os animais se mostram muito doentes e com anorexia, febre, dificuldade respiratória severa com cianose, dispnéia e morte súbita.
 
Também se observam de maneira comum descargas espumosas e sanguinolentas pelos orifícios nasais e orais em animais infectados de forma aguda. Os animais afetados permanecem nos cantos das baias em posição de cão sentado ou em decúbito esternal. Animais nessa fase da doença necessitam ser tratados pela via parenteral, pois existe perigo de vida. A morte pode ocorrer dentro de 24 a 36 horas, sendo possível que esta ocorra de forma súbita sem que se observem sinais clínicos prévios. Os sobreviventes a infecção podem continuar com a doença em sua forma crônica.
 
A forma crônica se desenvolve após o desaparecimento dos sinais agudos, onde os sintomas mais observados são a falta de desenvolvimento e acessos esporádicos de tosse e nestes casos pode ser observado um aumento significativo de condenações de carcaças nos abatedouros por problemas de aderências pleurais. A mortalidade gira em torno de 0,5 e 20% nos rebanhos cronicamente infectados.

RINITE ATRÓFICA
 
Doença que afeta a parte superior do aparelho respiratório do suíno, que produz atrofia dos cornetos nasais, desvios do septo nasal e deformação dos ossos do nariz. Trata-se de uma enfermidade insidiosa, que não produz sinais clínicos evidentes e nem mortalidade.
 
A deformação das estruturas nasais modifica o fluxo de ar inspirado por meio das fossas nasais, a qual elimina a barreira protetora física e permite que as partículas suspensas no ar entrem no aparelho respiratório, causando sérios problemas.
 
A Rinite Atrófica é uma doença de alta transmissibilidade e enzoótica em certas regiões. Compromete animais na faixa de três a oito semanas de idade.
 
Assume-se hoje que existe dois tipos de Rinite Atrófica:

1. Rinetite Atrófica Progressiva, em que o agente principal é a Pasteurella multocida tipo D, que isoladamente ou em combinação com a Bordetella bronchiseptica produz severas deformações nos cornetos.

2. Rinite Atrófica Regressiva, causada em especial pela Bordetella bronchiseptica, responsável pela hipoplasia dos cornetos de caráter benigno.

Os primeiros sintomas da Rinite Atrófica Progressiva são estertores com exudato seroso ou mucopurulento e, às vezes, sanguinolento, apresentando diversos graus de lesão nos cornetos.

Já na Rinite Atrófica Regressiva não existe deformação nos cornetos, mas os pulmões podem apresentar áreas de hepatização e edemas, com complicações secundárias.

AGENTES ASSOCIADOS ÀS DOENÇAS RESPIRATÓRIAS

Pasteurella multocida: Agente causador da Pasteurelose Suína, geralmente associado ao Mycoplasma hyopneumoniae. É o agente secundário mais diagnosticado nos casos de Rinite Atrófica Progressiva. Apresenta sinais clínicos como respiração abdominal e tosse ocasional, com evolução de caráter crônico.

Haemophilus parasuis: Agente causador da doença de Glasser transmitida em especial por meio das secreções respiratórias. O Haemophilus é um agente oportunista em casos de enfermidades respiratórias suínas. Sua maior complicação está relacionada a polisserosites e artrites.
 
Outros agentes isolados de maneira comum e que podem ser patógenos primários ou secundários são: Streptococcus suis, Salmonella cholerasuis, Bordetella bronchiseptica, Streptococcus alfa e beta hemolíticos, bem como os vírus da Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos ( PRRS ), da Doença de Aujeszky, da Influenza Suína e Coronavírus.

IMPACTO ECONÔMICO
 
As perdas econômicas devidas as enfermidades respiratórias dependem da idade do animal, da severidade da infecção e o curso da enfermidade depois do aparecimento dos primeiros sinais clínicos. Portanto, é muito difícil estimar as perdas em todos os casos individuais.
 
Alguns trabalhos demonstram que a Pleuropneumonia causada pelo Actinobacillus pleuropneumoniae pode aumentar de 3 a 10% a conversão alimentar e atrasar a idade de abate em até 25 dias. Estudos tem demonstrado que animais que sobrevivem a infecção levam 1,2 dias a mais para atingir o peso ideal de abate para cada 1% de lesão pulmonar.
 
Com relação a Pneumonia Enzoótica, causada pelo Mycoplasma hyopneumoniae, uma hepatização pulmonar de 10 a 20% significa uma perda de 9,3% no desenvolvimento do animal. Estima-se perda de 37,4 gramas por dia de ganho de peso para uma hepatização pulmonar de_ 10%. Já a hepatização, mais a aderência de pleura (pleuresia), significa uma perda de 17% no desenvolvimento do animal acometido.
 
Em outros trabalhos, a Rinite Atrófica chegou a piorar a conversão alimentar de 3 a 6% e no desenvolvimento do animal de 5 a 10%.
 
Além da redução no desempenho dos animais, as doenças respiratórias provocam aumento da mortalidade, custos com tratamentos, vacinações e condenações de carcaças nos abatedouros.

TRATAMENTOS E CONTROLES
 
Os animais afetados por pneumonias agudas ou subagudas apresentam com intensidade diversa alguns dos sintomas já descritos anteriormente. Estes animais não se alimentam e portanto devem receber preferencialmente medicação injetável. O antibiótico de esco1ha depende da causa e da gravidade da pneumonia. O tratamento deve ser iniciado imediatamente para evitar a mortalidade decorrente.
 
A seleção das drogas (medicamentos) devem ser baseadas em certos critérios: eficiência do medicamento, espectro de ação e níveis de concentrações inibitórias mínimas (MIC), tempo de retirada para o abate, custo benefício e formulação da droga, que indica a melhor via de administração. Deve-se considerar também que é comum o aparecimento de resistência cruzada entre diferentes antibióticos do grupo dos macrolídeos, licosamidas e diterpenos – tilosina, lincomicina, espiramicina, tiamulina, eritromicina, tilmicosina. Sabe-se também que o surgimento de resistência é gradual, traduzindo-se na obtenção de resultados inconsistentes no controle das pneumonias nas granjas. Nestes casos, o uso de antibióticos de outros grupos é uma opção economicamente favorável ao suinocultor.
 
As recomendações veterinárias devem ser com relação as estratégias de medicações, onde verifica-se quando a doença se estabelece, baseado em observações anteriores feitas na granja e nas necrópsias realizadas na busca de identificar os agentes causadores da doença. O uso de um tratamento estratégico se torna mais econômico que o uso contínuo de medicamentos, e isto faz com que a ação dos antibióticos seja mais efetiva. O choque estratégico nada mais é do que a medicação utilizada de tempos em tempos, num intervalo regular, com a intenção de previnir doenças e permitindo que o rebanho crie uma imunidade.
 
O controle de doenças respiratórias quase sempre envolve o uso de medicamentos na alimentação dos suínos. Embora seja uma medida necessária e efetiva, apresenta o potencial do grande problema de deixar resíduos de antibióticos nas carcaças dos animais. Recentes pesquisas tem levado ao descobrimento de novas drogas com período residual muito curto, o que facilita a sua utilização.
 
Vários outros fatores também são considerados importantes para o aparecimento das doenças respiratórias. Dentre eles, citamos: os fatores de manejo relacionados ao sistema all in/all out, onde as instalações que são desinfetadas e passam por um vazio sanitário adequado tendem a produzir leitões com melhor performance; o estresse causado por mudanças e misturas de lotes; vários outros fatores sociais, tais como idade, tamanho do rebanho, população nas baias e densidade no estoque de animais, espaço aéreo e espaço físico. Citamos ainda os fatores ambientais, tais como temperatura, ventilação, poluição, gases, poeiras e bactérias no ar e nas instalações. Todos estes fatores predispõem os animais a adquirirem mais facilmente as doenças respiratórias.
 
Como as doenças respiratórias são de incidências multifatoriais, acredita-se que a mais completa interação entre o homem, suíno e meio ambiente vem a ser o fator determinante para o status da doença num rebanho.

Médico Veterinário – Coopers Brasil Ltda
E-mail: afsamilton@zipmail.com.br

FONTE:
Revista Suinocultura Industrial – Número 137- Fev/Mar 1999  
Gessulli Agribusiness
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