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Um
dos problemas mais importantes na produção suinícola é constituído pelas
enfermidades respiratórias que se observam em forma de pneumonias e
pleurisias. O complexo respiratório está susceptível a uma gama de agentes
bacterianos e virais, alguns dos quais com importância primária e outros
com importância secundária.
Os agentes primários de maior importância são: Actinobacillus pleuropneumoniae,
Vírus da doença de Aujeszky, Mycoplasma hyopneumoniae. São numerosos
os patógenos comuns que se apresentam em forma de infecções secundárias,
como as pasteurelas, os estreptococos, os estafilococos, etc.
Provavelmente a melhor forma de evitar problemas respiratórios graves
é manter o ambiente onde os suínos são criados o mais livre possível
de estresse imunológico, social e nutricional, relacionados com as transferências
dos leitões de uma instalação para outra (desmame – creche – crescimento
– terminação), que propicia o aparecimento dos sintomas respiratórios.
Dentre os fatores preponderantes na difusão das patologias respiratórias,
considera-se a disposição das instalações, tipos de galpões, sistemas
de ventilação em locais fechados ou a circulação de ar em locais abertos.
Outros fatores, tais como número de animais por área, mistura de animais
de diferentes tamanhos e idades, temperatura ambiente, presença ou não
de outras doenças na granja, cuidados de higiene, desinfecção e fluxo
de animais, sistema de criação all in/all out. Além de altos níveis
de gases (maior que 10 ppm de amônia e menor que 5 ppm de Ácido Sulfúrico)
e altas taxas de poeiras (2,5 mg / metro cúbico de ar) comprometem seriamente
o aparelho respiratório dos suínos.
As perdas econômicas decorrentes dos problemas respiratórios são bastante
sérias e recaem tanto sobre os produtores como sobre a indústria. Sobre
os primeiros, em conseqüência dos gastos com medicamentos, redução do
desenvolvimento corporal dos animais afetados e mortalidade. Sobre a
indústria, pela condenação de carcaças, especialmente no caso da pleuropneumonia.
PRINCIPAIS DOENÇAS E PATÓGENOS -
Considerando-se a natureza distinta das etiologias envolvidas nas doenças
respiratórias (bactérias. vírus, mycoplasmas e parasitas) o diagnóstico
etiológico preciso é o passo inicial para que medidas adequadas possam
ser adotadas.
As doenças que tem recebido mais destaque dentro do Complexo Respiratório
em suínos são: Pneumonia enzoótica, Pleuropneumonia, Rinite atrófica,
Doença de Glasser e Pasteurelose.
PNEUMONIA ENZOÓTICA
Doença causada pelo Mycoplasma hyopneumoniae que apresenta elevados
índices de incidência em granjas comerciais. Acomete animais de todas
as idades e seus efeitos mórbidos se fazem notar, principalmente, durante
as fases de crescimento e terminação.
A doença não apresenta sintomatologia clássica nos estágios iniciais,
caracterizando-se em especial por apresentar alta morbidade (efeitos
maléficos sobre o ganho de peso e conversão alimentar) e baixa mortalidade.
O período de incubação característico da doença é de 10 a 21 dias. No
entanto, pode prolongar-se em função de práticas de manejo sanitário.
Quando aparecem, os sintomas clássicos se apresentam sob a forma de
uma tosse seca improdutiva, afetando os animais jovens em fase de crescimento.
Evolui geralmente para um quadro mais grave, de conseqüencias mais desastrosas
em função da associação do Mycoplasma a outros invasores secundários
como a Pasteurella multocida, Actinobacillus pleuropneumoniae, Streptococcus
sp e outros, reduzindo a atividade mucociliar diminuindo as defesas
contra patógenos que entram pela via res piratória e, portanto, predispõem
o pulmão a entrada de outros microrganismos.
A vacinação contra a Pneumonia Enzoótica já é uma prática muito difundida
no Brasil e sem dúvida alguma é bastante útil no controle das pneumonias.
PLEUROPNEUMONIA
É uma doença causada pelo Actinobacillus pleuropneumoniae, onde os animais
se mostram muito doentes e com anorexia, febre, dificuldade respiratória
severa com cianose, dispnéia e morte súbita.
Também se observam de maneira comum descargas espumosas e sanguinolentas
pelos orifícios nasais e orais em animais infectados de forma aguda.
Os animais afetados permanecem nos cantos das baias em posição de cão
sentado ou em decúbito esternal. Animais nessa fase da doença necessitam
ser tratados pela via parenteral, pois existe perigo de vida. A morte
pode ocorrer dentro de 24 a 36 horas, sendo possível que esta ocorra
de forma súbita sem que se observem sinais clínicos prévios. Os sobreviventes
a infecção podem continuar com a doença em sua forma crônica.
A forma crônica se desenvolve após o desaparecimento dos sinais agudos,
onde os sintomas mais observados são a falta de desenvolvimento e acessos
esporádicos de tosse e nestes casos pode ser observado um aumento significativo
de condenações de carcaças nos abatedouros por problemas de aderências
pleurais. A mortalidade gira em torno de 0,5 e 20% nos rebanhos cronicamente
infectados.
RINITE ATRÓFICA
Doença que afeta a parte superior do aparelho respiratório do suíno,
que produz atrofia dos cornetos nasais, desvios do septo nasal e deformação
dos ossos do nariz. Trata-se de uma enfermidade insidiosa, que não produz
sinais clínicos evidentes e nem mortalidade.
A deformação das estruturas nasais modifica o fluxo de ar inspirado
por meio das fossas nasais, a qual elimina a barreira protetora física
e permite que as partículas suspensas no ar entrem no aparelho respiratório,
causando sérios problemas.
A Rinite Atrófica é uma doença de alta transmissibilidade e enzoótica
em certas regiões. Compromete animais na faixa de três a oito semanas
de idade.
Assume-se hoje que existe dois tipos de Rinite Atrófica:
1.
Rinetite Atrófica Progressiva, em que o agente principal é a Pasteurella
multocida tipo D, que isoladamente ou em combinação com a Bordetella
bronchiseptica produz severas deformações nos cornetos.
2.
Rinite Atrófica Regressiva, causada em especial pela Bordetella bronchiseptica,
responsável pela hipoplasia dos cornetos de caráter benigno.
Os
primeiros sintomas da Rinite Atrófica Progressiva são estertores com
exudato seroso ou mucopurulento e, às vezes, sanguinolento, apresentando
diversos graus de lesão nos cornetos.
Já na Rinite Atrófica Regressiva não existe deformação nos cornetos,
mas os pulmões podem apresentar áreas de hepatização e edemas, com complicações
secundárias.
AGENTES
ASSOCIADOS ÀS DOENÇAS RESPIRATÓRIAS
Pasteurella multocida: Agente causador da Pasteurelose Suína, geralmente
associado ao Mycoplasma hyopneumoniae. É o agente secundário mais diagnosticado
nos casos de Rinite Atrófica Progressiva. Apresenta sinais clínicos
como respiração abdominal e tosse ocasional, com evolução de caráter
crônico.
Haemophilus
parasuis: Agente causador da doença de Glasser transmitida em especial
por meio das secreções respiratórias. O Haemophilus é um agente oportunista
em casos de enfermidades respiratórias suínas. Sua maior complicação
está relacionada a polisserosites e artrites.
Outros agentes isolados de maneira comum e que podem ser patógenos primários
ou secundários são: Streptococcus suis, Salmonella cholerasuis, Bordetella
bronchiseptica, Streptococcus alfa e beta hemolíticos, bem como os vírus
da Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos ( PRRS ), da Doença
de Aujeszky, da Influenza Suína e Coronavírus.
IMPACTO ECONÔMICO
As perdas econômicas devidas as enfermidades respiratórias dependem
da idade do animal, da severidade da infecção e o curso da enfermidade
depois do aparecimento dos primeiros sinais clínicos. Portanto, é muito
difícil estimar as perdas em todos os casos individuais.
Alguns trabalhos demonstram que a Pleuropneumonia causada pelo Actinobacillus
pleuropneumoniae pode aumentar de 3 a 10% a conversão alimentar e atrasar
a idade de abate em até 25 dias. Estudos tem demonstrado que animais
que sobrevivem a infecção levam 1,2 dias a mais para atingir o peso
ideal de abate para cada 1% de lesão pulmonar.
Com relação a Pneumonia Enzoótica, causada pelo Mycoplasma hyopneumoniae,
uma hepatização pulmonar de 10 a 20% significa uma perda de 9,3% no
desenvolvimento do animal. Estima-se perda de 37,4 gramas por dia de
ganho de peso para uma hepatização pulmonar de_ 10%. Já a hepatização,
mais a aderência de pleura (pleuresia), significa uma perda de 17% no
desenvolvimento do animal acometido.
Em outros trabalhos, a Rinite Atrófica chegou a piorar a conversão alimentar
de 3 a 6% e no desenvolvimento do animal de 5 a 10%.
Além da redução no desempenho dos animais, as doenças respiratórias
provocam aumento da mortalidade, custos com tratamentos, vacinações
e condenações de carcaças nos abatedouros.
TRATAMENTOS E CONTROLES
Os animais afetados por pneumonias agudas ou subagudas apresentam com
intensidade diversa alguns dos sintomas já descritos anteriormente.
Estes animais não se alimentam e portanto devem receber preferencialmente
medicação injetável. O antibiótico de esco1ha depende da causa e da
gravidade da pneumonia. O tratamento deve ser iniciado imediatamente
para evitar a mortalidade decorrente.
A seleção das drogas (medicamentos) devem ser baseadas em certos critérios:
eficiência do medicamento, espectro de ação e níveis de concentrações
inibitórias mínimas (MIC), tempo de retirada para o abate, custo benefício
e formulação da droga, que indica a melhor via de administração. Deve-se
considerar também que é comum o aparecimento de resistência cruzada
entre diferentes antibióticos do grupo dos macrolídeos, licosamidas
e diterpenos – tilosina, lincomicina, espiramicina, tiamulina, eritromicina,
tilmicosina. Sabe-se também que o surgimento de resistência é gradual,
traduzindo-se na obtenção de resultados inconsistentes no controle das
pneumonias nas granjas. Nestes casos, o uso de antibióticos de outros
grupos é uma opção economicamente favorável ao suinocultor.
As recomendações veterinárias devem ser com relação as estratégias de
medicações, onde verifica-se quando a doença se estabelece, baseado
em observações anteriores feitas na granja e nas necrópsias realizadas
na busca de identificar os agentes causadores da doença. O uso de um
tratamento estratégico se torna mais econômico que o uso contínuo de
medicamentos, e isto faz com que a ação dos antibióticos seja mais efetiva.
O choque estratégico nada mais é do que a medicação utilizada de tempos
em tempos, num intervalo regular, com a intenção de previnir doenças
e permitindo que o rebanho crie uma imunidade.
O controle de doenças respiratórias quase sempre envolve o uso de medicamentos
na alimentação dos suínos. Embora seja uma medida necessária e efetiva,
apresenta o potencial do grande problema de deixar resíduos de antibióticos
nas carcaças dos animais. Recentes pesquisas tem levado ao descobrimento
de novas drogas com período residual muito curto, o que facilita a sua
utilização.
Vários outros fatores também são considerados importantes para o aparecimento
das doenças respiratórias. Dentre eles, citamos: os fatores de manejo
relacionados ao sistema all in/all out, onde as instalações que são
desinfetadas e passam por um vazio sanitário adequado tendem a produzir
leitões com melhor performance; o estresse causado por mudanças e misturas
de lotes; vários outros fatores sociais, tais como idade, tamanho do
rebanho, população nas baias e densidade no estoque de animais, espaço
aéreo e espaço físico. Citamos ainda os fatores ambientais, tais como
temperatura, ventilação, poluição, gases, poeiras e bactérias no ar
e nas instalações. Todos estes fatores predispõem os animais a adquirirem
mais facilmente as doenças respiratórias.
Como as doenças respiratórias são de incidências multifatoriais, acredita-se
que a mais completa interação entre o homem, suíno e meio ambiente vem
a ser o fator determinante para o status da doença num rebanho.
Médico
Veterinário – Coopers Brasil Ltda
E-mail: afsamilton@zipmail.com.br
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