|
Em
qualquer setor de produção intensiva de proteína animal, a nutrição,
na fase de criação, é extremamente importante e influi diretamente na
qualidade dos produtos. Na suinocultura, tanto os profissionais das
indústrias de rações como os pesquisadores, nas universidades, dedicam
atenção especial ao desenvolvimento de tecnologias que proporcionem
bons resultados. Uma das principais preocupações é encontrar formas
de baratear os custos de produção da alimentação do plantel. "A
nutrição responde por cerca de 65% dos custos de produção", justifica
o nutricionista de suínos da Vaccinar, Moacir Furtado. Para se ter uma
idéia da evolução do consumo de rações pelos suínos, ressalte-se que
em 1990 as rações destinadas ao setor representavam 26% do total das
rações animais consumidas. Em 1998, representavam 32,8%, conforme as
estatísticas da Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para
Animais (Anfal).
Hoje há uma centralização na eficiência da produção, como o uso de menos
ração por quilo de carne produzida, melhor aproveitamento das instalações,
melhor genética dos animais, etc. Mas não pára por aí. Pode-se citar
ainda mais três questões que vêm preocupando os pesquisadores: "Bem-estar
animal, qualidade do alimento e do meio ambiente", cita o professor
da área de nutrição animal da Universidade São Paulo (USP), Felix Ribeiro
de Lima.
Para dar conta das exigências, uma grande quantidade de avanços tecnológicos
vem tomando conta da área. Um fator que contribui para isso é a forte
concorrência entre as empresas de alimentação. Todas investem em novidades
para melhorar os resultados obtidos pelos suinocultores e mantê-los
fiéis aos seus produtos. Para os consumidores de carne suína resta a
certeza de que, há bastante tempo, estão ingerindo um produto altamente
protéico e produzido sob rígidos padrões de controle e segurança. "Investimentos
em tecnologia devem ser rotina em todas as empresas ligadas à nutrição
animal", declara Angela Flugel, do departamento de marketing da
Alltech do Brasil. A empresa está construindo um parque industrial biotecnológico
– especializado em soluções baseadas em biotecnologia - no País, nos
mesmos moldes dos centros que possui nos EUA, México e Europa.
No mercado nacional, a área de nutrição animal apresenta uma característica
comum a diversas outras: muita competitividade. O setor foi afetado
por um aumento significativo no número de empresas. Além disso, sentiu
a invasão das estrangeiras, que se deu após a abertura financeira que
aconteceu nos últimos anos. Entretanto, tais fatos contribuíram para
diversificar os produtos e técnicas e quem saiu ganhando, com certeza,
foi o suinocultor. "O mercado de suínos no Brasil tem mostrado
um crescimento muito rápido. Isso tem aguçado o interesse de profissionais
e empresas de todo o mundo", diz o médico veterinário da Metta
Nutrição Científica, Carlos Tadeu R. de Castro. Porém, há ainda muito
a ser desenvolvido no mercado de rações, tanto dentro como fora do País.
Inovações
– As inovações apresentadas pelo setor de alimentação de suínos são
inumeráveis. "Mas nunca houve um avanço tão dinâmico na área como
nos últimos quatro ou cinco anos", declara Flugel, da Alltech.
Nesta reportagem, várias empresas do ramo foram contatadas para informar
as novidades e tendências. Muitas já estão sendo usadas pelos suinocultores
e se traduzem em excelentes resultados. A seguir, algumas delas: introdução
de modelos de proteína ideal, com base em aminoácidos digestíveis; emprego
de dietas (pré)-iniciais complexas, para atender a práticas de desmame
precoce e segregado; utilização de rações úmidas; incorporação de aditivos
como, por exemplo, enzimas e acidificantes; definição do tamanho ideal
de partículas de milho – diâmetro geométrico médio; uso de sucedâneos
de leite para melhorar o peso ao desmame; uso de probióticos; entre
outros.
Com tantos avanços é importante manter os produtores bem informados.
Para isso, as empresas do ramo patrocinam cursos e seminários e usam
constantemente os serviços de suas assessorias técnicas para responder
as dúvidas dos clientes. "O grande provedor de informações técnicas
e de nutrição para o criador é o fornecedor de premix, que é aquele
que traduz em resultados, na granja, todo o conhecimento e avanços da
nutrição no mundo inteiro", explica Julio Flavio Neves, da Poli-nutri.
Outro canal de divulgação de informações – e que tem se popularizado
mais a cada dia que passa – é a Internet. Vários pesquisadores e empresas
colocam todo tipo de informações técnicas à disposição dos produtores
"internautas" (veja quadro). "Contudo, ainda falta muito
investimento neste meio de comunicação", ressalta o supervisor
de nutrição animal da Nutris, Almiro Renei Bauermann. Por sua vez, com
uma linguagem agradável e de fácil compreensão, as revistas técnicas
e jornais de associações e empresas também cumprem o objetivo de levar
informações aos produtores.
O
consumidor final – No setor de nutrição animal podem ser considerados
consumidores finais tanto o produtor, que compra o alimento para o seu
plantel, como as pessoas que se alimentam com carne suína. Para o primeiro,
as vantagens incluem o "melhoramento do ganho de peso na creche,
baixa na idade do desmame, diminuição na ocorrência de diarréias de
origem nutricional, elevação do peso médio na saída da creche e baixa
na mortalidade na creche", informa o sócio-gerente da Sanphar,
José Nunes Filho. Para a dona de casa, a principal vantagem é o acesso
a produtos de melhor qualidade, tanto nutricional como sanitária. Em
outras palavras, o esforço das indústrias de alimentação animal resulta
na busca constante de melhorar a qualidade de vida dos consumidores,
o que envolve também as questões ambientais. As rações devem ser formuladas
de modo a minimizar a contaminação do solo e da água provocados pelos
dejetos das granjas.
A nutrição assume assim um papel fundamental no marketing da carne suína,
tendo em vista que ela influi diretamente na qualidade final do produto.
Hoje, os consumidores já discernem entre os diferentes modos de criação
de suínos. "Isso é favorecido pelo contato do público com informações
sobre granjas técnicas que usam alimentação balanceada", declara
o diretor de pesquisa e nutrição da Nutremix, Mozat Benati. Mas há ainda
muito para se fazer na área. Afinal, a mística de que a carne suína
faz mal à saúde ainda persiste em muitos setores da sociedade. "Temos
que transmitir ao consumidor (em potencial) que o suíno (‘porco’) não
é sinônimo de sujeira", afirma Fábio Goldflus, da ADM Exportadora
e Importadora. Desta maneira, torna-se essencial também trabalhar o
marketing da carne junto à classe médica para mostrar as suas virtudes
e desmistificá-la. Com isso, o potencial do mercado poderá ser explorado
em toda sua magnitude, o que irá alavancar a economia do setor no Brasil
e no exterior.
Nutrição animal on-line
O setor de nutrição animal já começa a divulgar suas pesquisas na
rede mundial de computadores, Internet. O setor de alimentos aditivados
da alemã Degussa-Hüls AG, por exemplo, ampliou o leque de opções de
sua home page (www.degussa-huels.de) propiciando acesso a um grande
volume de literaturas de pesquisas especializadas em nutrição. No endereço
eletrônico da Degussa-Hüls encontram-se todas as publicações referentes
à nutrição animal e de pesquisas aplicadas publicadas pelo setor de
alimentos aditivados da empresa. "A manutenção e a ampliação constante
da página oferece aos usuários informações atuais sobre este mundo onde,
em 1997/98, o volume de vendas atingiu 788 milhões de marcos alemães,
o que significa cerca 426 milhões de dólares", comenta o relações
públicas Michael H. Hoffmann.
O
papel do fósforo na nutrição de suínos
O professor da área de nutrição animal da Universidade São Paulo
(USP), Felix Ribeiro de Lima, possui uma consistente pesquisa sobre
o papel do fósforo para a melhora do desempenho dos animais. "O
fósforo é um mineral necessário em grandes quantidades no organismo
e tem muitas funções, como a responsabilidade de mantê-lo em pé, por
exemplo, já que tem função estrutural como parte do osso", explica.
Porém, nos alimentos de origem vegetal que os suínos consomem, dois
terços da quantidade de fósforo presente não é absorvida pelo organismo
– o animal o ingere mas, mais tarde, o elimina nas fezes. Assim, torna-se
necessária a suplementação com material inorgânico. Tal providência
proporciona absorção maior e diminuição na quantidade despejada no solo.
Causa assim uma melhora significativa no que se refere à segurança do
meio ambiente. O excesso de fósforo no solo pode atingir os mananciais
de água, contaminando-os. Em grande quantidade nos rios, diminui a quantidade
de oxigênio e pode inviabilizar a vida de algumas espécies aquáticas.
Segundo Lima, para aumentar a quantidade de fósforo absorvida e diminuir
o despejo no solo, lança-se mão de alguns tipos de enzimas. Tal tratamento,
no entanto, esbarra no problema do alto custo. "O fósforo é um
elemento muito caro", afirma. Na verdade é o terceiro composto
mais caro na nutrição animal. Os dois primeiros são: energia e proteína.
|