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INTRODUÇÃO
A síndrome da antropozoonose de origem parasitária conhecida como anisakiosis,
foi reconhecida pela primeira vez pelo Dr. M. Strub em 1955 na Holanda.
O paciente ingeriu arenque levemente salgado e 24h depois, apresentou
sintomas que conduziram a laparotomia, quando foi verificada a presença
de larvas de terceiro estádio de anisakídeos na luz do intestino e lesões
ulcerativas no íleo (VAN THIEL et. al., 1960).
Muitos outros casos foram descritos na Holanda entre 1955 e 1968, com
médias anuais entre 5 e 25 ocorrências, totalizando no período 168 (GRABDA,
1970).
No Japão, a anisakiosis humana apresentou estatística significativa
de casos comprovados (APT et. al., 1980; YOKUGAWA & YOSHIMURA, 1967;
NAGANO et. al., 1973; KAWAUCHI et. al., 1973; DOI, 1973; ITO et. al.
1973). Segundo YOSHIMURA, et. al., 1979 somente em 1967 foram registrados
278 casos, sendo 196 localizados no estomago, 77 no intestino e 5 em
outros locais.
Em muitos outros países, como Dinamarca, Alemanha, Inglaterra, Polinésia,
Estados Unidos, França, Taiwan, Bélgica e Chile, entre outros, a ictiozoonose
tem sido diagnosticada, segundo autores como JACKSON (1975); PRIEBE
et. al., 1973; PINKUS & COOLIDGE, 1975; CARVAJAL, 1983; CHENG, 1982;
MARGOLIS, 1977; LITTLE & MOST, 1973, entre outros.
Os agentes etiológicos da anisakiosis humana são nematóides da ordem
Ascarida, sub-ordem Ascaridina, super familia Ascaridoidea
e pertencentes a família Anisakidae composta por 24 gêneros (CHENG,
1982).
As larvas (L,) dos gêneros, Anisakis, Belanisakis, Phocanema, Porrocaecum,
Paradujardínia, Pseudoterranova, Cleoascaris, Phocascaris e Contracaecum
podem ser responsáveis pela parasitose no homem, quando hábitos alimentares
permitem a ingestão do pescado crú (sushi, sashimi, sunomono, ceviche,
etc), mal cozido, defumado a frio, inadequadamente salgado ou resfriado
(CHENG, 1982).
Nos peixes, as L, se localizam nas serosas viscerais e podem migrar
para a musculatura, onde se encistam, se constituindo, quando ingeridas,
em risco potencial sob o ponto de vista de Saúde Pública.
No Brasil, a parasitologia tem alcançado níveis de desenvolvimento bastante
satisfatório, mas, quando se observa pela ótica das ictiozoonoses de
origem parasitária, esse desenvolvimento fica restrito pelo número de
trabalhos realizados.
AMATO & AMATO, 1982, detectaram L, de anisakídeos Sulcascaris
sucata (Rudolphi, 1819), em moluscos marinhos (músculos adutores
de "vieiras") Pecten ziczac processados e exportados para
os Estados Unidos.
REGO et. al., 1983, registraram a presença destes anisakídeos em "cavalas"
(Scomber japonicus Honttreyn), e REGO & SANTOS (1993) em "anchovas"
(Pomatomus saltatrix L.).
BARROS & AMATO, 1993 detectaram L, de anisakídeos em "peixe
espada" (Trichiurus lepturus L.) pertencentes aos gêneros
Anisakis e Contracaecum. BARROS (1994) registrou em "pargos"
(Pagrus pagrus) larvas de Contracaecum, os espécimes haviam
sido capturados no litoral sudeste do Brasil.
MATERIAL
DE APOIO
No período compreendido entre julho de 1997 e janeiro de 1998, 113 espécimes
de peixes capturados no litoral nordeste do Brasil, foram examinados,
sendo 82 pargos (Lutjanus purpureus), 18 dourados (Coryphaena
hippurus), seis guaiúbas (Ocyurus chrysurus), três ciobas
Lutjanus synagris dois camorins Centropomus pectinatus, uma cavala
Scomberomorus cavala e um pampo Trachinotus carolinus.
Os peixes foram identificados segundo MENEZES & FIGUEIREDO (1980)
e necropsiados, após serem tomadas suas medidas e pesados, assim como,
determinados os seus sexos.
As larvas (L,), quando presentes, foram coletadas e lavadas em solução
fisiológica (0,65%), em seguida fixadas a 60o C em AFA (93
partes de etanol à 70%, 5 partes de formalina à 40% e 2 partes de ácido
acético). No AFA permaneceram pelo menos por 48 horas quando foram transferidos
para o etanol a 70o GL contendo 5% de glicerina. A clarificação
das larvas, seguiu as recomendações de AMATO et. al., 1991 e a identificação
das mesmas atendeu aos padrões de CHENG, 1982.
Os dados obtidos foram analisados estatisticamente através de testes
próprios.
RESULTADOS
E DISCUSSÕES
Das 113 espécimes examinadas, envolvendo sete espécies de peixe, somente
47 (41,59%) foram positivas para anisakídeos, sendo 38 pargos (46,34%)
dos 82 necropsiados, e nove dourados (50,00%) dos 18 examinados.
18 (47,36%) dos pargos parasitados eram machos e 20 (52,63%) eram fêmeas.
Entre os dourados parasitados, dois (22,22%) eram machos e sete (77,77%)
eram fêmeas.
A amplitude de variação quanto ao peso, entre pargos parasitados, oscilou
entre 400 e 6.900g e quanto ao comprimento, entre 31 e 86cm, independentemente
do sexo. Entre os dourados, a faixa de variação quanto ao peso oscilou
entre 3.600 e 18.100g, e quanto ao comprimento, entre 93 e 143cm.
O parasitismo nos pargos, se apresentou com limites quanto ao peso e
o sexo, mais acentuado na faixa entre 0 1000g, com 25 peixes,
sendo 12 (48%) machos e 13 (52%) fêmeas, e menos frequente na faixa
entre 1001 e 2000g, onde apenas um peixe macho se apresentou parasitado.
Em relação aos dourados, a faixa onde o parasitismo se apresentou de
forma mais acentuada, ocorreu quando os oito peixes pesavam mais de
4001g, sendo dois (25,0%) machos e seis (75,0%) fêmeas.
Esse mesmo parasitismo nos pargos, se apresentou com limites, quanto
ao comprimento e sexo, bem mais acentuado, na faixa entre 31 e 60 cm,
com 28 peixes, sendo 12 (42,2%) machos e 16 (57,8/ü) fêmeas. A
faixa onde os peixes se apresentaram menos parasitados foi entre 61
e 90cm, em 10 peixes, sendo seis (60%) machos e quatro (40%) fêmeas.
Em relação aos dourados, a faixa onde o parasitismo se apresentou de
forma mais acentuada, foi entre 91 e 120cm, em 05 peixes, sendo um (20%)
macho e quatro (80%) fêmeas. A faixa onde foi detectado parasitismo
menor, foi entre 121 e 150cm, em quatro peixes, um (25%) macho e três
(75%) fêmeas.
O gênero prevalente foi Contracaecum nos pargos com 20,7% e o
genero Anisakis apresentou prevalência de apenas 2,4%. Nos dourados
a prevalência para Contracaecum foi de 48% e para Anisakis
ll,1%. Se considerarmos o número de larvas (L,) por espécie de peixe,
nos pargos o gênero Contracaecurn, se destaca com 259 L, em 47
peixes parasitados, contra 12 L, nos peixes parasitados pelo gênero
Anisakis. Nos dourados, o número de L, do gênero Anisakis
(41) sobrepujou o número de L, do gênero Contracaecum, que apresentou
apenas quatro L, nos nove dourados parasitados.
A média das infrapopulações de L, pertencentes ao gênero Anisakis
nos pargos machos foi 3,0 e nas fêmeas não ocorreu parasitismo por L,
desse gênero. A média das infrapopulações por Contracaecum nos
pargos machos foi de 7,8 e nas fêmeas foi de 8,5. Nos dourados machos,
a média das infrapopulações de L3 pertencentes ao gênero Anisakis
foi 4,5 e nas fêmeas 8,2. Para Contracaecum não ocorreu a presença
de L3 nos dourados e nas fêmeas foi de uma L3 por espécie.
A análise estatística (teste do Qui-Quadrado) indica que o parasitismo
em função do sexo, peso e comprimento não foi significativo (p<0,05)
para as espécies citadas.
REFERÊNCIAS
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* Depto Medicina Veterinária da Univ. Federal Rural de Pernambuco-PE
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