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Tuberculose em bovinos, diagnosticada em Uberlância – MG durante 10 anos (1986 - 1995)
(Por: (Humberto Eustáquio Coelho – Luciano de Paula Silva)*  (Denio Oliveira Reis – José Gabriel Amoril)** Roberto Martins Manzan***)

INTRODUÇÃO
 
A tuberculose está espalhada em todos os países do mundo. Sua frequência é elevada em países cujos animais permanecem confinados durante o período de inverno, e menos intensidade onde são criados extensivamente.

 
No Brasil, foram constatados no ano de 1984, 650 focos da enfermidade, sendo 16 no Estado de Minas Gerais. Em 1985 foram constatados 574 focos, dos quais 19 ocorreram em Minas Gerais. Em 1986 dos 655 casos observados, 18 foram em Minas Gerais.

 
O objetivo do presente trabalho é conhecer a frequência de tuberculose em bovinos abatidos em Uberlândia-MG e região, através de exames macro e microscópicos das lesões.

MATERIAL E MÉTODO 
 
Levantamos os dados do arquivo de Patologia Animal da Universidade Federal de Uberlândia(UFU), durante 10 anos(1986-1995).

 
Compilamos os dados selecionados com sexo, idade, raça e freqüência anual da enfermidade.

 
Estudamos 1313 bovinos procedentes de Uberlândia-MG e região.

 
O diagnóstico de tuberculose foi baseado no exame macroscópico e microscópico das lesões. O material estudado teve origem da coleta de bovinos necropsiados no laboratório de Patologia Animal da UFU e amostras enviadas de frigoríficos de toda região do Triângulo Mineiro e sul do estado de Goiás.

 
Para o exame histopatológico, fragmentos de órgãos lesados foram colhidos e fixados em formalina a 20%, desidratados, incluídos em parafina, cortados a 5 micrômetros e corados pela Hematoxilina e Eosina, para posterior exame ao microscópico óptico.

RESULTADOS
 
A freqüência de tuberculose bovina nestes últimos 10 anos(1986-l995) tem se mostrado de forma crescente em Uberlândia e região, conforme aponta o gráfico número 1. Neste trabalho além do percentual da freqüência, também observamos o período, sexo, raça e idade dos animais positivos para tuberculose.

 
Dos 1313 bovinos estudados, 65(5%) foram positivos para tuberculose, com 21% dos casos ocorrendo só no ano de 1995, o que aponta para um acréscimo significativo.

COMENTÁRIOS
 
A tuberculose, por ser uma enfermidade infecciosa crônica que acomete homens, aves, mamíferos domésticos e a maioria dos animais selvagens, torna-se cada vez mais importante fonte de estudio e preocupação para as autoridades sanitáriasdeste País.

 
Microbracteriun tuberculosis
sobrevive em pastagens, aviários, matéria orgânica, fezes e cama de galinha, por um período de 6 meses a 4 anos, o que favorece a contaminação dos animais, em especial aqueles em regime de confinamento. Este fato foi relatado por BLOOD, HENDERSON (1976) e RIBEIRO (1992), quando afirmam que a freqüência de tuberculose é elevada em países cujos animais permanecem confinados durante o inverno.

 
A presença de uma enfermidade como a tuberculose bovina, além de representar uma ameaça a saúde humana, causa grandes perdas econômicas com a condenação de carcaças. REY, PANGAS e MASSÉ (1959).

 
Quando comparamos os dados publicados em Nova Zelândia por HELLSTROM (1989); no Equador por DE KANTOR(1988); em Portugal por LOUZA (1993), consideramos a situação da doença em estado de alerta, pois os níveis são superiores aos desses países. Todavia as informações de BOLSKE et al(1995) são animadoras, pois sabemos que é possível erradicar a enfermidade, como é o caso da Suécia, após sistemático programa de controle.

CONCLUSÃO 
 
Os dados da presente pesquisa nos permitem concluir que depois de uma fase alta, porém estável, variando de 1,26% a 5,5% entre 1986 a 1993, nos últimos anos, principalmente em 1994 e 1995, a taxa de tuberculose tornou-se extremamente elevada, chegando a níveis alarmantes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

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* Depto Medicina Animal da Univ. Federal de Uberlândia-MG
** Ministério da Agricultura - UFU
*** Curso de Medicina Veterinária - UFU

FONTE:
Revista Higiene Alimentar
R das Gardênias, 36 – CEP 04047-010 – São Paulo-SP
Tel: (11) 5589-5732 / 5583-1016
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