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Doenças dos pés dos bovinos

A Importância dos Cascos
    Os pés dos animais têm que estar em perfeita ordem para que o animal possa exercer seu papel de produção. Os pés têm papel de sustentação e ajuda na locomoção de cada espécie. Para que o animal seja produtivo ele necessita se alimentar; para que isso aconteça, ele tem que estar confortavelmente de pé.

Incidência
    As doenças dos cascos são mais comuns em rebanhos leiteiros, estabulados, onde há maior concentração de animais numa mesma área, podendo também ocorrer em confinamentos. Tem-se observado um aumento da incidência dessas doenças nas épocas chuvosas ou, quando há muita umidade nos locais de permanência dos animais.

    As doenças dos pés ocorrem na maioria dos países e é grande a importância econômica, especialmente em bovinos leiteiros, onde as estatísticas são mais contundentes. Nos bovinos acometidos das alterações, há queda de produção e, ocasionalmente, podem sofrer envolvimento graves das articulações e outras estruturas profundas do pé, chegando-se ao extremo de amputação da unha.

    Em condições favoráveis, até 25 a 30% do rebanho pode ser acometido. A enfermidade não é fatal, mas pode ser necessário o sacrifício, resultante das lesões mais graves causadas no animal, que o torna, economicamente, inviável.

Origem 
    A causa primária da enfermidade principal, pode ou não ser óbvia, considerando-se o universo de interações. Geralmente, há implicações com vários fatores de risco como: manejo, higiene, nutrição, etc.

Principais lesões associadas às  infecções
    Dermatites Digitais e Interdigitais - Existe uma manifestação variada dessas lesões. Como o próprio nome indica, elas têm seu início na pele. Aparecem entre as unhas, por cima dos talões e caminham em direção à articulação ou para dentro da unha, se a infecção não for controlada em tempo. São lesões altamente dolorosas, onde os animais geralmente claudicam.

    Flegmão Interdigital - Há uma inflamação rápida de toda pele entre os dedos, temperatura elevada, queda de produção e dor intensa. Depois de um ou dois dias, a pele começa apodrecer e gera um odor extremamente pútrido, formando-se uma fenda profunda entre os dígitos, no local da pele apodrecida.

    Inflamação da Terceira Falange - É uma lesão, provavelmente, causa claudicação mais séria. Ela pode aparecer de um Flegmão Interdigital mal curado ou de uma fissura vertical que passe despercebida. Aparece uma inflamação rosada por cima da faixa coronária, fenda entre as unhas, ou descarga purulenta por cima da coroa. Esta lesão é a mais problemática, pois sua resolução é quase uma intervenção cirúrgica, seja para amputar a unha acometida, seja pra drenar a articulação.

    Existem outras manifestações das dermatites, tais como destruição da pele entre os dedos, causadas pelas dermatites que podem destruir o tecido córneo e o tecido mole entre os bulbos dos talões, formando uma lesão em forma de dOe V de cor escura, ou ainda, aparecem lesões de formas arredondadas próximas aos bulbos dos talões de cor vermelha brilhante; outras vezes têm proliferações de papilas córneas com aglutinação de pêlos e, às vezes, úlceras.

    Todas as principais doenças descritas são de origem infecciosa e têm como agente um germe ambiental, que é um oportunista e se aproveita de uma lesão mínima prévia da pele para se multiplicar e causar alteração do animal. A partir dessa multiplicação aumentada, há uma maior contaminação do meio ambiente e aumenta o número de animais doentes, se medidas drásticas não forem tomadas imediatamente. O tratamento para essas doenças é bastante simples quando detectado o problema precocemente. Consiste em levar o animal ao tronco, levantar a pata acometida, lavar com água abundante, escova e sabão. Utiilizar uma solução de iodo a 30% e usar antimiótico para cercar a invasão por fungos secundários. Nos casos em que se faz necessário alguma intervenção cirúrgica, os procedimentos curativos nos pós-operátorios é complexo e serão descritos posteriormente.

Laminites Clínicas e Subclínicas
    Abaixo do tecido córneo existe uma completa rede de vasos sanguíneos que podem sofrer danos sérios, incapacitando os tecidos responsáveis de produzir o tecido córneo da unha. Com isso, o tecido córneo se deteriora, tonando-se muito vulnerável. Há extravasamento de líquido dos vasos sanguíneos e a parte mole do casco aumenta de volume, causando muita dor e desconforto para o animal.

    As laminites podem ocorrer devido a níveis elevados de carboidratos, consumo indevido de grãos, baixo nível de fibras nos alimentos, stress, permanência prolongada em pé no concreto, higiene deficiente, umidade, abrigos defeituosos e falta de conforto para os pés. As alterações associadas às laminites, geralmente requerem intervenções cirúrgicas ou cuidados especializados.

Úlcera da Sola ou Pododermatite Circunscrita
    É uma chaga viva que se apresenta do lado interno da unha posterior externa. O animal se mantém com as patas posteriores mais atrás do que o normal. Geralmente aparece, quando o animal tem laminite subclínica ou vive em superfícies abrasivas ou mal casqueamento, etc.

Sola Dupla
    Geralmente ocorre, quando há lesões no casco, ou quando o animal é submetido rapidamente à alimentação de alta qualidade, após longo período de restrição alimentar.

Desgaste da Sola
    A sola se adelga devido ao animal caminhar sobre superfícies ásperas e duras, como nos casos de pisos de concreto, que ainda não sofreu o processo de cura. Os tecidos moles do casco se lesam e apresentam sangramento debaixo do tecido córneo da sola. Esta condição pode se confundir com laminite subclínica. No caso da laminite, o sangue se encontra no tecido córneo da sola e não debaixo dela.

Erosão do Talão
    O bulbo do talão, que normalmente é liso, nesta alteração se apresenta inicialmente com escoriações e depois ondulações. Geralmente, observa-se uma faixa escura em forma de V, que se estende diagonalmente através da parte posterior do bulbo. Essa alteração pode ocorrer após a laminite ou exposição a elementos irritantes, tais como abrasivos e excesso de excrementos. E ainda podem estar implicados microrganismos causadores de dermatites. Com a perda do tecido córneo, o talão não cumpre bem seu papel de amortecedor. A medida que a erosão progride, há bastante dor. O animal perde a estabilidade e se recusa a andar e mais lesões se processam devido a má distribuição do peso corporal sobre o pé do animal. Para tratar deste caso específico, requer uma grande habilidade do profissional, pois é necessário fazer a retirada dos tecidos necrosados, sem contudo, desbalancear o pé do animal.

Enfermidade da Linha Branca
    É uma lesão infecciosa que penetra através de separação entre a parede do casco e a sola, provavelmente advinda de laminites subclínicas. Com frequência se desenvolve um abcesso no talão com destruição da articulação e dos tendões inseridos na área dos talões. Essa alteração também pode ser causada por danos mecânicos, ao se caminhar por sobre superfícies abrasivas, ou ainda por amolecimento do tecido córneo da unha resultante de grande umidade. Essa enfermidade se confunde com Flegmão Interdigital. No caso do Flegmão, a inflamação se estende aos dois talões, igualmente, enquanto essa se confina ao talão apenas umas das unhas. Faz-se necessário intervenção cirúrgica para se conseguir a melhora, principalmente quando o abcesso já se alojou no talão.

Úlcerações do Dedo
    Alteração que se processa devido a ruptura da linha branca na ponta do dedo. Causadas por laminites subclínicas ou por troca repentina para dietas ricas em energia ou por administração de forragem altamente digestiva. O primeiro sinal de ulceração do dedo é um ligeiro sangramento através da linha branca. Quando sangramento é óbvio, é possível que a alteração seja irreversível, pois pode ter ocorrido a rotação da falange ou esta pode estar infectada. Talvez, o tratamento mais econômico seja o sacrifício do animal.

Sulcos e Fissuras Horizontais
    São conhecidos como sulcos dos estresses, pois são resultados deles mesmos. Ao longo da vida animal, ele é submetido a uma gama variada de stress tais como, desmama, restrições alimentares, desconforto ambiental, etc. Cada vez que ocorre um desses eventos estressantes, o animal responde com alterações no casco. Em alguns casos extremos, o tecido córneo pode se romper e aí trazer complicações secundárias.

Tratamentos:
    A primeira coisa a se pensar no tratamento das alterações dos pés dos bovinos é procurar a causa e eliminá-la;

    Isolar os animais doentes;

    Quando as lesões estão no início qualquer pessoa habilidosa pode processar o tratamento que é bastante simples. O tratamento serve tanto para os problemas simples, quanto par o pós operatório, nos casos em que foi necessário intervenção cirúrgica.

Rotina de Tratamento:
    1- Lavar bem o pé com água corrente limpa, sabão e escova;

    2- Passar iodo 30%, primeiro na ferida e depois na unha toda;

    3- Pingar antimiótica sobre a ferida;

    4- Fazer aplicação de Tetraciclina sobre a ferida (se for necessário enfaixar, aplicar repelente na área afetada);

    5- Colocar penicilina pó sobre a ferida;

    6- Enfaixar o pé com atadura de crepom;

    7- Trocar o curativo a cada dois dias.

Cuidados Especiais
    Os animais tratados devem ficar, de preferência, em baias individuais. Se houver essa possibilidade;

    Deve-se colocar os animais em locais de menor umidade possível;

    Deve-se deixar camas macias, com água limpa e comida palatável sempre disponível;

    Se houver baias individuais, deixar os animais presos pelo cabresto até a cicatrização total do local afetado;

    Retirar constantemente fezes e drenar a urina;

    Nós temos sempre que ter em mente que a higiene ambiental é o melhor aliado na prevenção de todas as doenças. Não se pode esquecer de que bovinos também se sentem bem em ambientes limpos, secos e confortáveis.

Prevenção
    Observar diariamente todos os animais para detectar precocemente alteração;

  • Separar os doentes dos demais, pois as alterações podem ser contagiosas;
  • Fazer a retirada de fezes, onde os animais passam a maior parte do tempo, o maior número de vezes possíveis durante o dia;
  • Evitar que os animais caminhem muito e, sobretudo, em terrenos com cascalhos, pedras ou qualquer outra coisa que possa causar danos aos cascos;
  • Retirar lama em volta dos bebedouros, cochos etc. De preferência, concretar ao redor desses;
  • Jogar cal virgem, periodicamente, nos locais de maior concentração. Colocar terra nova nos buracos que se formam próximos aos bebedouros, cochos, etc;
  • Fazer casqueamento periódico em todos os animais;
  • Fazer com que todos os animais passem pelo pedilúvio pelo menos duas vezes por semana. Antes do compartimento da solução do pedilúvio, deve-se construir um lavapés bem amplo para que o animal possa retirar o excesso de sujidade dos pés antes de chegar até solução do pedilúvio, para que essa tenha ação direta nos pés dos animais. A solução deve ser trocada sempre que tiver muita matéria orgânica. A água do lava-pés deve ser trocada todas as vezes que os animais passarem por ela. Se o número de animais for grande, ela deve ser trocada mais vezes durante a passagem.

Conclusão
    Esta monografia está destinada às pessoas que lidam com gado e que estejam interessadas em melhorar a sua produtividade e aprimorar a qualidade sanitário do seu rebanho. Nosso objetivo é ajudar aqueles que estão envolvidos no processo produtivo dos animais, para identificar e corrigir problemas nos pés dos bovinos.

    Deve-se ter um consenso sobre qual é a verdadeira causa do problema. As laminites são as causas mais importantes de muitos problemas, entretanto, as enfermidades infecciosas são também muito frequentes e talvez as mais importantes em rebanhos, onde a alimentação é mais à base de forragem - com pouca quantidade de grãos.

    Faz-se necessária a evolução contínua das práticas de manejo, relacionadas à saúde do animal em um todo, especialmente, o manejo alimentar e a higiene. Deve-se organizar e registrar todas as observações, assegurando-se de que sejam constantes e precisas. Trocar informações com outras pessoas a respeito de como fazer frente aos problemas potenciais.

    Investigar os fatores de risco e estar disposto a implementar as trocas de manejo ou de instalações, quando for necessário. O exame rotineiro dos procedimentos associados ao manejo é o primeiro passo crítico no processo das alterações dos pés.

    É de grande conveniência entender as relações e a importância econômica das decisões associadas aos problemas dos pés. A evolução de qualquer programa de redução das lesões dos pés é a elevação máxima do rendimento dos animais e o incremento de sua longevidade no uso de suas melhores utilidades econômica.

FONTE:
Pardo-Suiço em Revista 
CN Propaganda e Marketing
Associação Brasileira de Criadores de Gado Pardo-Suiço

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